O problema da patologização da misoginia



Se você pesquisar no google o que é patologizar  provavelmente vai achar um resultado que explica que tal ação consiste na transformação de comportamentos ou atitudes em doenças. E por que estou expondo isso? Recentemente, temos visto inúmeros casos de feminicídio e violência contra a mulher e não é difícil vermos frases do tipo “esse homem é doente” para se referir aos agressores. Num caso mais recente, a influenciadora Lorena Maria se expressou dizendo “esse homem é um demônio” para se referir ao seu ex Mc Daniel, o qual foi extremamente violento com a mesma. 

Eu discordo completamente dessas frases porque o Mc Daniel e todos esses agressores não são “doentes” e nem criaturas malignas. São apenas homens saudáveis, comuns que estão exercendo a masculinidade dominante que foi ensinada. A estrutura social patriarcal e misógina ensina esse comportamento e casos como esse apenas evidenciam que o sistema está dando certo, ele foi criado para funcionar dessa forma. Num vídeo recente, um cabeleireiro mostrou a reação de meninos e meninas ao vestirem um avental com temáticas femininas e masculinas e é visível a completa aversão que os meninos sentem e demonstram dos temas entendidos como femininos, enquanto as meninas agem com respeito e neutralidade. Isso só demonstra que vivemos num mundo que ensina o ódio ao feminino desde cedo e obviamente os resultados futuros serão práticas violentas, como um crime de feminicídio.

Eu quero finalizar ressaltando novamente a problemática que existe em patologizar a misoginia, homens não cometem atos machistas porque são doentes, quando a gente afirma isso abre espaço para a naturalização desses comportamentos problemáticos. A ideia do “dedo podre” (que eu repudio com todas as minhas forças) é um exemplo perfeito! Não existe dedo podre numa sociedade instrumentalizada para explorar o corpo das mulheres, apenas existe o resultado da estrutura social vigente e atribuir que a mulher não sabe escolher seus parceiros é culpabilizar indivíduos que são objetificados e desumanizados por essa mesma sociedade, quando uma mulher “escolhe” (eu coloco entre aspas porque não acho que as mulheres ocupam a posição de escolha nessa sociedade patriarcal, mas sim buscam ser validadas socialmente por esses relacionamentos) um homem ruim, ela está apenas cumprindo a lógica do amor romântico e da monogamia, que não demora muito para vitimar a mesma. Nesse sentido, é importante refletirmos se esses homens são mesmo "doentes" ou se a socialização masculina produz e perpetua esse padrão de comportamento.

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